José Fernandes da Rocha

José Fernandes da Rocha, nasceu no lugar da Balsa, às 9.30h do dia 15 de Agosto de 1935, na freguesia de Avintes, concelho de Vila Nova de Gaia.

Terminada a escola primária, em Avintes, começa a trabalhar, nomeadamente com o pai, José Pereira da Rocha, na fábrica de móveis que este possuía nesta freguesia.

Cumpre o serviço militar obrigatório, tira a especialidade em munições de artilharia e é promovido a 1º Cabo. No final dos anos 50 começa a sua carreira desportiva no Futebol Clube do Porto, curiosamente não no atletismo, mas no futebol. Gradualmente são observadas as suas qualidades para a corrida e é ainda ao serviço deste clube que participa nos Jogos Ibero-Americanos, disputados em Madrid, em 1962. 

No ano seguinte ruma a Lisboa, para o Sporting Clube de Portugal, definitivamente passando ao atletismo. Fixa residência na Alameda das Linhas de Torres nº 231, num apartamento que partilha com amigos, local que se tornará centro de inúmeros convívios nos anos seguintes juntando gente ligada ao desporto e não só.

No mês de Julho, em Madrid, num Espanha-Portugal, bate o recorde nacional dos 200m, dos 4x100m e ainda dos 4x400m. Ainda no mesmo mês, no Torneio Internacional de Lisboa iguala o tempo feito em Madrid, nos 200m (21,4s), vence as provas dos 100m e 200m nos campeonatos regionais e faz o mesmo nos campeonatos nacionais, em Setembro. 

No mês seguinte, num torneio em Lisboa, entre o Sporting e o Natacion de Barcelona, melhora o tempo feito em Madrid na prova dos 200m (21,3s), no qual participa também nos 100m igualando o recorde nacional até então alcançado (10,6s). Campeão nacional nos 100m e 200m,  é logo neste ano de 1963 que ganha o Prémio Francisco Stromp e o Prémio da Imprensa. Participa ainda nos II Jogos Luso-Brasileiros, no Rio-de-Janeiro.  

Em Julho de 1964, no Torneio de Vigo, bate o recorde nacional dos 100m com o tempo de 10,5s, algo que não era conseguido desde 1932. Repete-o no Torneio de Setúbal, na Taça Fernando Amado e também num Portugal-Espanha, em Setembro, no qual estabelece dois novos recordes nacionais; nos 200m, com o tempo de 21,2s (que só será melhorado por Luís Barroso, em 1983) e nos 4x100m, com o tempo de 41,4s. Em Outubro está em Tóquio, no Japão, para os Jogos Olímpicos realizados neste país, tendo este evento sido precedido de um estágio na Praia Grande, sob a direcção do Professor Moniz Pereira.  

Em Maio de 1965 encontra-se em Barcelona para participar nos IV jogos Desportivos de Atletismo. Em Junho participa na 1ªedição da Taça da Europa, em Enschede na Holanda, nas provas dos 100m,200m e 4x100m. 

Em 1966 apresenta-se nos campeonatos nacionais, nomeadamente nas provas dos 400m, 4x100m e 4x400m. Em Maio, no Grande Prémio de Guérin, bate o recorde nacional dos 4 x 200m.

Em 1967 mantém a participação nos campeonatos nacionais nos 100, 200 e 4x100m. 

No campeonato nacional de 1968 vence os 100m e 200m e participa na prova dos 4 x 100m. Será nesta especialidade que, a 7 de Setembro, estabelece novo recorde nacional, em Madrid, com o tempo de 41,3s. 

Uma forte lesão muscular, acompanhada de ruptura de ligamentos, afasta-o das olimpíadas de 1968 que serão realizadas na Cidade do México. Neste ano aproveita para casar e no seguinte é pai, fixando residência na Estrada da Luz e, alguns anos depois no bairro de Benfica.  

As competições desportivas vão sendo deixadas para trás, mas não o interesse pelo desporto e em particular pelo atletismo, assim como as amizades que permanecerão por vários anos. Para matar saudades, de vez em quando visitava o (antigo) Estádio José Alvalade, entrava pela porta 10A, cumprimentava quem lhe aparecia pela frente, passava pelos balneários, entrava num ou outro gabinete e seguia até à pista. Por vezes fazia-se acompanhar pelo filho, ainda pequeno. Passa a dedicar-se por conta própria aos negócios.

Nos últimos anos de vida volta à sua terra natal, onde vem a falecer a 7 de Fevereiro de 2015.

 

Texto elaborado por Pedro J.B.F. Rocha